|
804. Ah! Quão breve é a vida humana!
Morremos antes de atingir os cem anos de idade. E mesmo que vivêssemos
mais, sempre morreríamos de velhice.
805. As pessoas se afligem por causa das coisas a que se apegam como se
fossem suas. Isso porque suas posses não são permanentes. Todas as
coisas deste mundo estão sujeitas à extinção. Verificando isso, não
devem as pessoas permanecer na condição mundana.
806. As pessoas pensam das coisas: - Isto é meu. Entretanto, com a morte
elas perdem essas coisas. Os que me seguem devem discernir sabiamente este
princípio e não mais se voltarem para o conceito de "isto é
meu".
807. Da mesma forma que a pessoa desperta não mais vê aqueles com que se
encontrou em sonhos, não mais podemos rever as pessoas amadas, quando a
morte as faz deixarem este mundo.
808. Quando vistas ou ouvidas, as pessoas eram chamadas por seus nomes.
Depois de mortas, restam somente seus nomes a serem transmitidos.
809. Aquele que ambiciona as coisas e a elas se apega como sendo suas, não
consegue se livrar da preocupação, da tristeza e da mesquinhez. É por
isso que os santos que conheceram a tranqüilidade se desfizeram das
posses, ao partirem.
|

clique sobre a imagem para
vê-la em alta resolução
|
810. O monge que, renunciando e recuando, se dedica a suas práticas,
familiariza-se com os assentos em lugares retirados e distantes e deles se
aproxima. Ele não se aproxima dos domínios das existências prisioneiras
da ilusão, tal comportamento é adequado a sua condição.
811. O santo não se deixa afetar pelas coisas, ele nem as ama, nem as
odeia. Ele não é maculado nem pela tristeza, nem pela mesquinhez. Ele é
como a flor de lótus, que não se deixa contaminar pelo lodo.
812. Assim como as gotas de orvalho sobre a flor de lótus não se deixam
contaminar pelo lodo, o santo não se deixa macular pelas coisas que viu,
aprendeu ou pensou.
813. Aquele que varreu e extirpou o mal não pensa com apego nas coisas
que viu, aprendeu ou pensou. Ele não intenta se purificar apoiando-se em
coisas externas. Ele nem deseja e nem se distancia do desejo.
|
Suttanipata
804-813.
Tradução do Reverendo Prof. Dr. Ricardo Mário Gonçalves

Jara
Vagga - O Capítulo da Velhice
146. Por que o riso? Por que a
alegria? Porventura não está tudo sempre a arder? Estais envoltos em
trevas, por que não buscais a luz?
147. Observai esta forma ornamentada: é um corpo cheio de chagas, um
composto de agregados, tomado por doenças, sem continuidade, presa de
muitos pensamentos ilusórios.
148. Este corpo está gasto pelo uso, é um ninho de doenças, fácil de
perecer; o corpo humano é uma massa pútrida a se desagregar, isso porque
a vida encontra seu fim na morte.
149. Que prazer podeis ter em contemplar essas ossadas esbranquiçadas,
semelhantes a cabaças abandonadas no outono?
150. Esta praça forte é constituída de ossos revestidos de carne e
sangue. Nela estão instaladas a velhice e a morte, a soberba e a
hipocrisia.
151. As carruagens dos reis, ornamentadas por variadas cores, terminam por
ficar desgastadas. Da mesma forma, vai o corpo envelhecendo. Entretanto, o
ensinamento do Dharma, que é a raiz das virtudes, jamais envelhece. Dessa
forma, os bons vão instruindo os bons.
152. Aquele que é parco no ouvir vai envelhecendo como um boi: suas
carnes se avolumam, mas seu saber não cresce.
153. Busquei o construtor da casa, sem lograr encontrá-lo. Por quantas
existências transmigrei, quantas vidas dolorosas experimentei!
154. Construtor da casa! Finalmente encontrei-te! Não mais voltarás a
construir casas! Quebradas foram tuas vigas, despedaçada foi tua
cumeeira. Meu coração ruma para a serenidade, atingi a extinção de
todos os anseios.
155. Aqueles que não praticaram ações puras e não adquiriram riquezas
na juventude perecem como garças velhas numa lagoa sem peixes.
156. Aqueles que não praticaram ações puras e não adquiriram riquezas
na juventude jazem como arcos quebrados, a lamentar as coisas passadas.
Dhammapada
XI, 146-156.
Traduzido pelo Reverendo Prof. Dr. Ricardo Mário Gonçalves
da versão japonesa do Professor Yushô Miyasaka.

voltar
para a homepage
|