Rev. Shaku Shogyo (Gustavo Corrêa Pinto)
Considerações sobre um
trecho do Dhammapada

Todas as coisas são precedidas pela mente, guiadas e criadas pela mente.

Aqui, mente significa tanto a nossa mente pessoal, humana e individual, quanto a mente do Buddha que antecede a nossa, que a cria e guia, ontem, hoje e amanhã.

Tudo o que somos hoje é resultado do que temos pensado. O que hoje pensamos determina o que seremos amanhã. Nossa vida é criação de nossa mente.

A nossa mente e a mente do Buddha estão sempre interagindo. O Buddha não assiste passivo ao nosso drama e epopéia evolutiva. Por isso o Buddha da Luz Infinita e da Vida Eterna (Amida) é representado em pé. A Compaixão do Buddha O leva a erguer-se e vir encaminhar-nos. Ele está continuamente reagindo à cada decisão, iniciativa, pensamento ou sentimento nosso, sempre buscando nos despertar e libertar, conduzindo-nos assim à Terra Pura.

Se falamos ou agimos com a mente contaminada (pela ilusão), o sofrimento nos acompanha tal como a roda segue os passos do boi que puxa a carroça.

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A mente é contaminada pela ilusão que gera o apego. Iludida, ela não vê o real, e por isso o teme. Imagina poder abrigar-se em suas fantasias de desejo, sonha poder transformar em realidade o seu anseio irreal. Vezes e mais vezes insiste em sua insensata tentativa de moldar o mundo segundo o seu pessoal arbítrio e desejo de permanência, vezes e mais vezes vê se esboroar seu intento. E sofre, se frustra.

Se falamos ou agimos com a mente lúcida, a felicidade nos acompanha tal como a sombra segue o corpo do qual se projeta.

Quando enfim o Buddha consegue trazer luz à nossa mente confusa, descobrimos que a realidade é muito maior, mais bela, sábia e compassiva do que o sonho ilusório que almejávamos em vão. Vendo o que é, descobrimos que a plenitude é dádiva continuamente propiciada pelo Buddha já aqui, enquanto ainda estamos encarcerados. Basta desistirmos de resistir ao real e insistirmos só em confiar. Tudo está sempre sendo encaminhado para a luz. Somos "fadados" a transcender o relativo e nos descobrirmos no Absoluto. Amanhã será dia. E porque isso nos é revelado hoje, podemos sorrir mesmo se ainda pranteamos.

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